ICMBio aponta impacto negativo de prédios de até 20 andares em Teresópolis
ICMBio alerta para impactos de prédios de 20 andares em Teresópolis Rogério de Paula/g1 Um parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Bio...
ICMBio alerta para impactos de prédios de 20 andares em Teresópolis Rogério de Paula/g1 Um parecer técnico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que a lei que permite a construção de prédios de até 20 andares em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, pode causar impactos negativos ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso). O documento destaca possíveis prejuízos à paisagem, ao trânsito e ao meio ambiente. O estudo, elaborado em fevereiro de 2026, foi anexado a um processo judicial que discute a Lei Complementar nº 351/2025, responsável por autorizar a verticalização no bairro do Alto. Segundo o ICMBio, a área afetada está na zona de amortecimento do parque, faixa de proteção no entorno da unidade, e fica a cerca de 100 metros dos limites do Parnaso. Para o órgão, a mudança pode provocar adensamento urbano significativo, com aumento no número de moradores e construções. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. A avaliação técnica indica que esse crescimento tende a elevar o fluxo de veículos, dificultar o acesso ao parque e pressionar a infraestrutura urbana, como abastecimento de água e rede de esgoto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Impacto na paisagem O parecer também alerta para alterações na paisagem da Serra dos Órgãos, um dos principais patrimônios naturais e turísticos da cidade. De acordo com o ICMBio, a construção de edifícios mais altos pode comprometer a visibilidade de pontos como o Dedo de Deus. Em resposta, o órgão afirmou que a verticalização deve interferir na paisagem e impactar a unidade de conservação, já que a beleza cênica é um dos seus principais atributos. O documento também destaca o valor cultural, turístico e identitário da paisagem, relacionando o tema a critérios internacionais de preservação. Outro ponto levantado é a ausência de consulta ao ICMBio durante a tramitação da lei. Embora não haja exigência formal, o instituto afirma que não foi ouvido, mesmo com a proximidade da área com a unidade de conservação. Disputa judicial A discussão sobre a lei já está na Justiça, e o parecer foi incluído no processo como subsídio técnico. Na conclusão, o ICMBio afirma que a proposta pode gerar impactos ambientais e paisagísticos e recomenda análise mais rigorosa. A norma também é alvo de críticas de moradores e órgãos de controle. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou a revogação da lei e a suspensão de licenciamentos, alegando falta de estudos técnicos e de participação pública. Até a última atualização desta reportagem, a Prefeitura de Teresópolis não havia se manifestado sobre o parecer.